Helen Keller International Go to main content.Go to section navigation.Accessibility Statement.

Donate Now

Spirit of Helen Keller Gala

Research and Publications

Nutrition News for Africa

30 de Setembro, 2007

 

Um artigo intitulado “Aleitamento materno e prácticas de amamentação mista no Malawi: Momento, razões, decisores e consequências para a saúde infantil”, foi publicado por Rachel Bezner Kerr et al. no Food and Nutrition Bulletin 2007;28 (1): 90-99

Introdução
As actuais directrizes da OMS/UNICEF sobre políticas de nutrição encorajam as mães a amamentarem exclusivamente os seus filhos durante os primeiros 6 meses de vida, proporcionando à criança uma dieta nutricionalmente suficiente, limpa e segura. O principal objectivo da pesquisa apresentada neste documento foi o de caracterizar as práticas alimentares infantis numa zona rural do Malawi. Mais especificamente, os autores desta pesquisa procuraram documentar os alimentos que são introduzidos às crianças antes dos 6 meses, determinar quem toma a decisão de introduzir esses alimentos, a motivação para fornecerem certos alimentos e as consequências no crescimento da criança.

Métodos
A pesquisa foi realizada numa zona rural do norte do Malawi, perto da cidade de Ekwendeni no Distrito de Mzimba. Os participantes deste estudo eram crianças de 6 a 48 meses de idade e as principais pessoas que delas tomavam conta, composto por dois grupos de agregados: os das aldeias de intervenção e os das aldeias de controlo. Nos 160 agregados com uma criança com menos de 4 anos, foi entrevistada a principal pessoa responsável por cuidar da criança, e foi-lhe perguntado se a criança consumia algum dos 19 alimentos específicos para bebés e ainda se a criança consumia outros alimentos.

Resultados
Se por uma lado as mães acham que o primeiro leite (colostro) e o leite materno é bom para os bebés, o aleitamento materno exclusivo não mostrou ser prática comum. Sessenta e cinco por cento das crianças tinham ingerido algum tipo de alimento sólido no primeiro mês de vida. Aos 6 meses de idade, 96% das crianças já tinham ingerido alimentos sólidos. Foram identificados três padrões na introdução de alimentos. O primeiro, o “mzuwula” é o mais comum (consiste numa infusão feita de folhas de uma árvore local), é introduzido a 50% das crianças no primeiro mês. Os dois outros são, respectivamente, água simples ou água com “Dawale” (outro tipo de água de raiz) e uma papa com “chinthipu” (papas leves feitas com farinha de milho branca). A razão mais comum para a introdução de outros alimentos foi a de que a criança estava com fome ou a chorar. Muitas vezes a mãe é a pessoa responsável pela decisão, mas a sogra e ocasionalmente o sogro também são responsáveis pela tomada de desisões. Em 78% dos casos quando o “mzuwula” foi introduzido, a sogra tomou a decisão e foi introduzido para proteger a criança de doenças.

Conclusão
Os autores deste estudo concluíram que os promotores do aleitamento exclusivo deveriam fazer com que os decisores fossem alvo das suas mensagens. Os autores sugerem que as mensagens deveriam abordar e desencorajar práticas alimentares que têm efeitos negativos no crescimento das crianças.