Nutrition News for Africa
15 de Maio, 2007
Um artigo intitulado “Um ensaio randomizado e de controlo
sobre segurança e efectividade da suplementação
com vitamina A em bebés Tanzanianos” foi publicado
por Idindili et al. no American Journal of Clinical Nutrition
2007;85:1312-9
Introdução: Há fortes
evidências de que a a suplementação com
vitamina A a partir dos 6 meses de idade reduz a morbilidade
e a mortalidade em zonas que endemicamente sofrem de deficiência
de vitamina A (DVA). Porque uma elevada proporção
de todas as mortes de crianças ocorrem antes destas
atingirem os 9 meses, os efeitos da suplementação
cedo com vitamina A foi investigada, com resultados divergentes.
Já foi demonstrado que a suplementação
das mães depois do parto melhora a ingestão
de vitamina A nos bebés que são amamentados.
A suplementação das mães após
o parto e dos seus bebés pode ajudar a melhorar os
níveis de vitamina A nas crianças. Os autores
deste estudo realizaram uma análise comparativa entre
a segurança e a eficácia de um regime de baixa
dose, previamente testado, com um regime sugerido de elevada
dose.
Métodos: Este ensaio randomizado
duplo-cego com dois grupos de tratamento diferentes foi realizado
em Ifakara, no sul da Tanzânia e foi desenhado de modo
a comparar a segurança e a eficiácia de 2 regimes
de suplementação de vitamina A. No grupo de
baixa dose as mães receberam 200 000 IU de vitamina
A no momento da vacinação dos seus bebés
com BCG e os bebés foram suplementados com doses de
25 000 IU no momento da terceira dose de DPT/Pólio
oral. No grupo de alta dose as mães receberam uma dose
adicional de 200 000 IU aquando da primeira vacina de DPT/Pólio
oral dos seus bebés e os seus bebés receberam
3 doses de 50 000 IU no momento da terceira dose de DPT/Pólio
oral. De acordo com as directrizes nacionais, todos os bebés
receberam 100 000 IU de vitamina A no momento da vacinação
do sarampo. As mães residentes na área do estudo
e que levaram os seus bebés ao Hospital Distrital e
Maternidade e Clínica de Saúde Infantil para
a vacina de BCG nos primeiros 7 dias após o nascimento
dos seus bebés foram convidadas a participar no estudo.
Antes de cada suplementação, funcionários
clínicos do projecto examinaram as mães ou os
seus bebés (ou ambos) e um questionário padrão
de morbilidade foi preenchido. As mães foram encorajadas
a levar os seus bebés a locais onde um Sistema de Vigilância
Clínica (SVC- CSS) estava em funcionamento caso os
bebés sofressem de alguma doença durante o período
de acompanhamento. A vigilância clínica activa
foi executada por monitores de campo que visitaram as mães
e seus bebés no domicílio durante 2 dias consecutivos
após cada suplementação das mães
e dos bebés.
Resultados: O recrutamento de 780 pares
de mães-bebés teve lugar entre Abril de 2002
até Março de 2003. O acompanhamento terminou
em finais de 2003. A incidência de todos os sinais clínicos
de doenças, sintomas e diagnósticos detectados
pelo SVC- CSS não diferiu significativamente entre
os 2 grupos de bebés durante todo o tempo. A detecção
activa de casos documentou uma prevalência significativamente
mais baixa de febre depois da primeira dose de vitamina A
nos bebés no grupo da dose alta do que nos bebés
do grupo da dose baixa. Não foi registado um padrão
semelhante após outras doses. A proporção
de bebés com níveis inadequados de vitamina
A no fígado aos 6 meses de idade foi de 43% no grupo
da dose elevada e de 47% no grupo da dose baixa. A DVA, em
vários graus de gravidade, não diferiu significativamente
entre os 2 grupos.
Discussão: Este ensaio demonstrou
que a suplementação das mães com uma
segunda dose de 200 000 IU de vitamina A e dos seus bebés
com 50 000 IU no momento das vacinações de rotina
foi segura mas não mais eficaz do que um regime de
dose baixa. Estes não são os resultados que
se esperavam. A melhor abordagem para melhorar os níveis
de vitamina A dos bebés de tenra idade continua por
determinar. O regime de suplementação com uma
dose elevada que os autores avaliaram é recomendado
pelo Grupo Consultivo Internacional da Vitamina A (IVACG).
Apesar de não ter sido testado previamente em ensaio
clínico, a recomendação baseou-se em
cálculos teóricos. Os resultados deste estudo
não suportam a actual recomendação do
IVACG. Os autores concluem que uma suplementação
com uma dose mais elevada de vitamina A foi bem tolerada pelas
mães e pelos bebés, mas falhou em melhorar os
níveis de vitamina A ou a incidência de episódios
de doenças nos participantes do estudo. A estabilidade
das cápsulas de vitamina A é fonte de grande
preocupação e chama a atenção
para a necessidade de verificação de qualidade-garantia
de tais cápsulas. Os autores deste estudo também
recomendam a validação específica dos
indicadores bioquímicos dos níveis de vitamina
A em bebés de tenra idade.
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