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15 de Março, 2007

Um artigo intitulado “A progressão do HIV-1 em mães que amamentam e em mães que dão biberão aos seus bebés: Uma comparação prospectiva de 2 anos de Subconjuntos de Células T, Níveis HIV-1 RNA e Mortalidade” foi publicado por Otieno et al, no ‘The Journal of Infectious Diseases’, 2007; 195:220–9

Histórico: Num ensaio clínico ramdomizado realizado no Quénia, mulheres infectadas com o vírus HIV-1, escolhidas aleatoriamente para amamentar registaram um risco significativamente mais elevado de mortalidade, em comparação as mulheres escolhidas aleatoriamente para alimentar os seus filhos com biberão. Contudo, em 4 estudos subsequentes realizados na Tanzânia, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwe não se encontraram diferenças significativas nos riscos de mortalidade materna atribuíveis à amamentação entre mães infectadas com o vírus HIV-1. O estudo tinha por objectivo comparar prospectivamente a progressão do HIV-1, em termos imunologicos e de carga viral, assim como o risco de mortalidade, entre as mulheres infectadas por HIV-1 que amamentam comparativamente as que dão leite artificial.

Métodos: Este foi um estudo prospectivo coorte realizado em Nairobi, Quénia, de Outubro de 2000 a Junho de 2005. As mulheres seropositivas com HIV-1 foram inscritas durante a gravidez e receberam um tratamento de curta duração de zidovudine, profilaxia de cotrimoxazole com base na contagem de células CD4, suplementação com multivitaminas nos 6 meses após o parto e encaminhamento para fornecimento do tratamento com antiretrovirais altamente activos (HAART), em casos de grave imuno-supressão. As mulheres foram aconselhadas a adoptar opções seguras de alimentação infantil e foi-lhes concedido pelo menos 2 semanas para decidirem como alimentar os seus bebés. Os níveis RNA HIV-1 e a contagem de células CD4 foi feita no estudo de base e nos meses 1, 3, 6, 12, 18 e 24 do pós-parto e foram comparados entre as mães que amamentavam e as davam biberão aos seus filhos.

Resultados e Discussão: Das 319 mulheres inscritas, 312 (98%) foram acompanhadas até ao parto e para 296 (93%) delas foi reunida informação sobre o método de alimentação do bebé e contagem de células CD4. Noventa e oito mulheres (33%) escolheram alimentar os seus bebés com leite artificial e 198 (67%) escolheram amamentar os seus bebés.

Registaram-se diferenças significativas na redução da contagem de células CD4 e no índice de massa corporal (IMC) entre as mulheres que amamentaram e as que escolheram o leite artificial para os seus bebés, mas não se registaram diferenças nos níveis RNA HIV-1 ou de mortalidade durante o período de 2 anos após o parto. Neste estudo, as mães registaram uma redução significativa na contagem das células CD4 entre os meses 1 e 24 no período pós-parto. A redução da contagem de células CD4 foi maior entre as mulheres que amamentaram no decurso deste estudo e esta redução foi significativamente mais elevado do que a registada entre as mulheres que nunca amamentaram. A amamentação teve efeito no IMC, mas não foi associado a mudança da massa celular corporal pós-parto das mulheres. Para a actual recomendação da Organização Mundial de Saúde de amamentar exclusivamente nos primeiros seis meses de vida do bebé, no caso das mulheres infectadas com HIV-1 os dados deste estudo sugerem que a amamentação exclusiva teria um efeito adverso mínimo na contagem de células CD4. As mulheres que escolheram o leite artificial tinham mais escolaridade, tinham maior acesso a casa de banho com autoclismo, e mostraram saber reportar melhor histórias passadas relacionadas com o HIV-1.

Conclusão: Em resumo, os autores sugerem que, com um bom acompanhamento materno - incluindo monitoria da imuno-supressão e monitria das mulheres com imuno-supressão tanto através da profilaxia com cotrimoxazole como através de encaminhamento para programas HAART - os potenciais efeitos da amamentação na contagem de células CD4 e nutrição são atenuados, e o risco de aumentar o nível HIV-1 RNA ou de mortalidade, são minimizados.