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Research and Publications

Nutrition News for Africa

31 de Maio, 2007

 

Um artigo denominado “A suplementação com multivitaminas melhora os valores hematológicos das mulheres tanzanianas infectadas com o vírus HIV e dos seus filhos” foi publicado por Fawzi et al. no American Journal of Clinical Nutrition 2007;85:1335-43.

Introdução: No final de 2005, 40 milhões de pessoas em todo o mundo viviam com HIV ou SIDA. A anemia é uma complicação frequente que ocorre em 20-80% de pessoas infectadas com HIV e está associada com uma progressão mais rápida da doença e da mortalidade. Os autores completaram um ensaio em mulheres tanzanianas infectadas com o HIV para examinar a eficácia da suplementação destas mulheres com vitaminas durante a gravidez e após o parto, nos resultados na gravidez e na saúde das mulheres e dos seus filhos. Todas as mulheres receberam suplementos diários de ferro e ácido fólico durante a gravidez, mas não receberam mais daí em diante, de acordo com o padrão de cuidados da Tanzânia. Aqui, os autores examinam o efeito dos suplementos nas concentrações de hemoglobina e os riscos de anemia nas mulheres e seus filhos.

Participantes e métodos:
Em Dar es Salaam, na Tanzânia, foram inscritas um total de 1078 mulheres grávidas infectadas com HIV, durante um período de 2 anos, que teve início em Abril de 1995. Estas mulheres e os seus filhos foram acompanhados até Agosto de 2003. As mulheres elegíveis foram distribuídas aleatoriamente em grupos de 20 para receberem, durante o período de acompanhamento, uma dose oral diária de 1 dos 4 regimes:1) vitamina A e caroteno-β apenas; 2) multivitaminas (excluindo vitamin A e caroteno-β); 3) multivitaminas + vitamina A e caroteno-β; ou 4) placebo. Foi pedido às mulheres que fizessem análises de sangue no estudo de base e depois a cada 6 meses, para avaliar as concentrações de hemoglobina. Devido às descobertas benéficas sobre os resultados adversos reportados anteriormente no ensaio, todas as mulheres que engravidaram após Maio de 1998 receberam multivitaminas em frascos com rótulos explicando a composição dos comprimidos durante toda a gravidez; estas mulheres continuaram a receber depois do parto o mesmo suplemento que recebiam antes de ficarem grávidas. Em Setembro de 2000, a vitamina A e o carotene-β foram eliminados dos 2 regimes que continham vitamina A, devido a um aumento do risco observado de transmissão de HIV-1 para as crianças, associado com a suplementação materna com vitamina A.

Resultados:
Os grupos de tratamento não diferiram nas características de base avaliadas. As práticas de alimentação dos bebés não foram significativamente diferentes entre os 4 grupos de tratamento. A média de cumprimento foi elevada e não foi significativamente diferente entre os 4 grupos de tratamento. Durante todo o período do estudo, as mulheres suplementadas com multivitaminas tiveram resultados de concentração de hemoglobina 0.33 g/dL mais elevados do que as mulheres não suplementadas.

Discussão:
A suplementação com o complexo de vitamina B, vitaminas C e E resultou numa melhoria significativa das concentrações de hemoglobina das mulheres e crianças. Esta intervenção também reduziu significativamente o risco de anemia. Os efeitos da vitamina A e do caroteno-β, por si só, não foram significativamente diferentes dos do placebo. Os resultados dos efeitos benéficos das multivitaminas mantiveram-se para além do final da gravidez, durante os primeiros 2 anos e até mesmo aos 4 anos do ensaio. A melhoria nos valores hematológicos pode fornecer um mecanismo adicional para a melhoria dos resultados clínicos. Também é possível que a melhoria dos resultados clínicos tenha resultado numa maior redução do risco de anemia através da melhor absorção de nutrientes essenciais e do decréscimo do stress oxidativo que contribui para a causa da anemia. Assim, a suplementação poderia ajudar a interromper o ciclo vicioso que leva ao aumento da gravidade da anemia, piores resultados clínicos e em último caso, à morte. A suplementação materna com multivitaminas continuou no período pós-parto e resultou em melhorias na concentração de hemoglobina nas crianças. Contudo, há algumas preocupações em relação à administração de ferro em pessoas infectadas com HIV, porque isso pode contribuir para o stress oxidativo e levar a uma progressão mais rápida da doença. São necessários mais dados de ensaios aleatórios para examinar a segurança e eficácia da suplementação com ferro no contexto da infecção com HIV. Neste ensaio todas as crianças, independentemente do regime em que as suas mães participaram, receberam periodicamente doses elevadas de vitamina A, começando aos 6 meses de idade de acordo com o padrão nacional de cuidados. Esta suplementação pode ter reduzido as hipóteses de encontrar o efeito protector dos suplementos maternos, se tal efeito existiu. Entre as mulheres infectadas com HIV, a suplementação com multivitaminas durante a gravidez e no período pós-parto resultou em melhorias significativas nos valores hematológicos das mulheres e das suas crianças, fornecendo assim mais suporte à importância da suplementação dos adultos infectados por HIV com multivitaminas.