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Research and Publications

Nutrition News for Africa

15 de Junho, 2007

 

Um artigo denominado “A eficácia da farinha de milho fortificada com ferro nos níveis de ferro de crianças quenianas em idade escolar: um ensaio aleatório com controlo” foi publicado por Andang’o et al. na revista The Lancet 2007;369:1799-806. 

Introdução: A fortificação de farinhas de cereais que fazem parte da base da dieta pode ser uma forma rentável e sustentável de melhorar os níveis de ferro das pessoas nos países em desenvolvimento. Na África sub-sariana, na Nigéria e África do Sul é obrigatório a fortificação da farinha com ferro e países como Cabo Verde, Costa do Marfim, Guiné, Gana e Quénia estão a planear programas de fortificação da farinha. Uma revisão de literatura feita por Hurrel e colegas concluiu que o ferro electrolítico é a única forma de ferro elementar que pode ser recomendado como fortificante para farinhas de cereais. Contudo, a sua bio-disponibilidade é questionável porque pode ser inibido pelos fitatos dos cereais, e nos países em desenvolvimento a dieta típica inclui farinhas integrais, que contêm um teor de fitato maior comparativamente a farinha branca (low-extraction white flour).  Neste caso o NaFeEDTA poderá ser o melhor fortificante. Este estudo procurou avaliar o efeito do consumo por crianças, de farinha de milho integral fortificada com doses elevadas e doses baixas de NaFeEDTA e com ferro electrolítico.

Métodos: Este estudo baseou-se em quatro escolas situadas em Marafa, no distrito de Malindi, no Quénia. O trabalho de campo foi realizado de Maio à Novembro de 2004. Foram seleccionadas para este estudo as crianças que estavam no infantário e no primeiro ano do ensino primário. O critério de inclusão, entre outros, foi ter 3-8 anos de idade. O veículo de fortificação foi o uji, uma papa de farinha de milho cozinhada em água e adocicada com açúcar. O consumo diário pretendido foi de 700 mL de uji (contendo 100 g de farinha) para as crianças de 3-5 anos e 1000 mL de uji (contendo 150 g de farinha) para as crianças de 6-8 anos. As crianças foram divididas em quatro grupos. A papa para um grupo foi feita com farinha de milho integral não fortificada; para os outros três grupos a farinha foi fortificada ou com uma dose elevada de NaFeEDTA (56 mg/kg), ou uma dose baixa de NaFeEDTA (28 mg/kg), ou ferro electrolítico (56 mg/kg). A estimativa foi que o acréscimo de uma dose baixa de ferro de 28 mg/kg de farinha e de uma dose elevada de ferro de 56 mg/kg de farinha forneceria 20% e 40%, respectivamente, dos valores das necessidades diárias de ferro para crianças de 3-5 anos de idade e 18% e 36%, respectivamente, das necessidades das crianças de 6-8 anos de idade. Os tipos de farinha não podiam ser distinguidos, mesmo após confecção. As crianças consumiram uji em canecas graduadas, na escola, 5 vezes por semana durante 5 meses. O resultado principal foi a anemia devido a deficiência de ferro. Os resultados secundários foram a anemia por deficiência de ferro; e a diferença na concentração de hemoglobina e concentrações de ferritina no plasma e o receptor de transferina solúvel nos dois grupos de tratamento.

Resultados: Um total de 505 crianças completaram o estudo. No estudo de base as concentrações de hemoglobina foram mais elevadas no grupo do placebo. Quase metade das crianças (49%) tinham ou tinham tido malária recentemente. A prevalência de anemia por deficiência de ferro nas crianças que consumiram farinha fortificada com altas doses de NaFeEDTA foi quase 90% mais baixa do que nos controlos. A anemia por deficiência de ferro não se alterou no grupo que recebeu farinha fortificada com ferro electrolítico.

Discussão: O consumo de farinha de milho integral fortificada com elevadas doses de NaFeEDTA reduziu a anemia por deficiência de ferro, assim como a deficiência de ferro e a anemia nas crianças quenianas. Os resultados do estudo mostram que a dose baixa de NaFeEDTA conferiu protecção contra a deficiência de ferro mas não contra a anemia por deficiência de ferro ou contra a anemia. O ferro electrolítico não conferiu protecção contra qualquer destas doenças. O consumo tanto da dose elevada como da dose baixa de NaFeEDTA melhorou os níveis de ferro nas crianças. Os efeitos dos tratamentos foram mais pronunciados nas crianças que já tinham deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro no estudo de base. A malária pode ter afectado alguns dos resultados do estudo. Os autores concluíram que a fortificação da farinha de milho integral com ferro electrolítico não melhora os níveis de ferro, pelo menos na concentração e forma utilizada neste estudo. Os autores deste estudo pensam que a intervenção continuada para além dos 5 meses teria provavelmente levado a uma discrepância ainda maior entre os resultados do tratamento associados com o NaFeEDTA e o ferro electrolítico. Os autores recomendam que a segurança do NaFeEDTA nas doses utilizadas neste ensaio seja confirmada.