Nutrition News for Africa
31 de Julho, 2007
Um artigo cujo título é “Factores de risco para a anemia moderada ou grave nas crianças do Benin e Mali: Ideias resultantes de uma análise a vários níveis” foi publicado por Ismael Ngnie-Teta,et al. no Food and Nutrition Bulletin 2007;28 (1): 76-89
Introdução:
A anemia representa um grave problema de saúde pública para as crianças dos países pobres. A anemia, tanto a moderada como a grave, está associada com o aumento da morbilidade e mortalidade infantil e com o fraco desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. A deficiência de ferro continua a ser a principal causa da anemia nos países pobres e contribui para quase metade dos casos actuais de anemia. As doenças, em particular a malária, são importantes factores de risco em locais onde a malária é endémica, como é típico em África. Este estudo procura prestar mais esclarecimentos sobre o impacto dos determinantes dos agregados familiares e das condições sócio-económicas das comunidades e da interligação entre estes factores contextuais e individuais. Este estudo tentou separar factores individuais e factores familiares, dos factores contextuais associados com a anemia moderada e grave, nas crianças do Benin e Mali.
Métodos:
Os dados utilizados neste estudo foram recolhidos do IDS (Inquérito Demográfico de Saúde) realizado em 2001 no Benin e no Mali. A anemia foi definida através dos níveis de hemoglobina no sangue capilar. A anemia moderada à grave foi definida como o nível de hemoglobina inferior a 9.9 g/dL e a anemia ligeira como um nível de hemoglobina entre 10.0 e 10.9 g/dL. Foram estudadas as seguintes características de cada criança: idade, sexo, idade da mãe, valor-z da altura-para-idade, episódios recentes de diarreia e imunização. As características do agregado familiar que foram estudadas doras as seguintes: origem da água para beber, nível académico da mãe, nível acadámico da pai, tamanho do agregado e índice de riqueza do agregado.
Resultados:
A prevalência de anemia nas crianças foi elevado e comparável nos dois países: (82% e 83% no Benin e no Mali, respectivamente). A anemia moderada (hemoglobina entre 7.0 e 9.9 g/dL) afectava 52% das crianças do Benin e 53% das crianças do Mali. A anemia grave (hemoglobina < 7.0 g/dL) afectava 9% das crianças do Benin e 12% das crianças do Mali. A prevalência de anemia é maioritariamente atribuível a diferenças entre indivíduos (mais de 80%), e menos a diferenças entre as comunidades. O risco de anemia foi 3 a 4 vezes mais elevado nas crianças com menos de 3 anos de idade do que entre as crianças com 4 a 5 anos de idade. O risco de anemia foi mais elevado nas crianças “baixinhas” (com desnutrição crónica) e nas crianças com recentes episódios de diarreia. As crianças do Benin com imunização incompleta e as crianças que não dormiam protegidas por redes mosquiteiras também apresentaram um risco mais elevado de anemia moderada ou grave. O nível académico da mãe foi positivamente e significativamente associado com a anemia moderada ou grave no Benin, mas não no Mali. Viver numa zona rural foi associado com uma prevalcência mais elevada de anemia no Mali, mas não no Benin.
Discussão:
Os factores de risco para a anemia moderada a grave variam no Benin e Mali, mas a variabilidade ocorre a nível individual; há pouca variabilidade entre diferentes grupos de comunidades. Assim, as intervenções de combate à anemia não necessitam de ter como alvo comunidades específicas. Programas específicos para combater a anemia com sucesso deveriam focalizar os indicadores gerais de saúde infantil tal como são identificados neste estudo. Estes indicadores são, entre outros, a redução das infecções, especialmente a redução da malária através do uso de redes mosquiteiras, redução a desnutrição por falta de proteínas-energética e melhoria da imunização.
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