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30th de Abril

Um artigo intitulado “Transmissão do vírus HIV-1 de mães para filhos nos primeiros 6 meses de vida do bebé através do aleitamento materno exclusivo: um estudo de intervenção coorte” foi publicado por Coovadia et al. no The Lancet 2007;369:1107-16 


Introdução: Todos os anos, centenas de bebés continuam a ser infectados com o vírus HIV através do aleitamento materno, mesmo quando os programas disponíveis oferecem testes de HIV às mulheres grávidas e profilaxia antiretroviral àquelas mulheres que estão infectadas. Nos países em desenvolvimento os riscos de aleitamento materno exclusivo por mães infectadas com o vírus HIV ainda não foi devidamente reportado. Tanto os ensaios clínicos como a pesquisa operacional têm demonstrado existir conflito entre a morbilidade grave e os riscos de mortalidade associados com a distribuição gratuita de alimentos substitutos do leite materno. Os autores deste estudo implementaram um trabalho de avaliação dos riscos de transmissão de HIV e de sobrevivência associados com o aleitamento materno exclusivo e outros tipos de alimentos para os bebés.

Métodos: Mulheres grávidas infectadas e não-infectadas com o HIV atendidas em consultas antenatais no KwaZulu Natal foram inscritas num estudo não-randomizado de intervenção coorte. Foi distribuída uma única dose de nevirapine a todas as mulheres infectadas com HIV e aos seus bebés, e todas as mulheres receberam aconselhamento antenatal sobre as opções alimentares para os seus bebés. Leite em pó comercial foi distribuido gratuitamente. Após o parto, todas as mães e os seus bebés receberam 3-4 visitas no domicílio nas primeiras 2 semanas de vida dos bebés, feitas por conselheiros de alimentação infantil, e em cada 2 semanas daí em diante até o bebé ter 6 meses. Os conselheiros e enfermeiros do estudo baseados no posto médico apoiaram as mães a amamentar exclusivamente ou a alimentar com alimentos substitutos do leite materno em exclusivo, de acordo com as suas opções. As mães reportaram as práticas alimentares escolhidas a um grupo independente de monitores de campo que realizaram visitas todas as semanas. As mãe e os seus bebés foram a consultas 6 semanas após o parto e daí em diante todos meses até aos 6 meses. A cada visita a enfermeira do estudo mediu o bebé, registou os dados de morbilidade e fez uma colheita de sangue (dried blood spot – gota seca de sangue) do bebé e recolheu ainda uma amostra de leite materno. Os enfermeiros do posto e os conselheiros aconselharam as mães a pararem de amamentar os seus bebés quando estes atingissem os 6 meses de idade.

Resultados: Entre Outubro de 2001 e Abril de 2005, 1.372 mães infectadas com o vírus HIV tiveram 1.405 bebés, 1.345 mães não infectadas com HIV tiveram 1.369 bebés, e cinco mães registaram um nível indeterminado de infecção com HIV. A análise deste estudo focaliza as mães infectadas com HIV e os seus bebés. Mais mulheres que optaram pelos substitutos do leite materno tiveram uma contagem de células CD4 inferior a 200 células/ μL do que aquelas que escolheram amamamentar exclusivamente. Os bebés que foram amamentados mas que em um dado momento também foram alimentados com sólidos (amamentação mista) registaram uma probabilidade 11 vezes maior de infecção do que os bebés exclusivamente amamentados. Os bebés de mães com contagem de células CD4 inferior a 200/ μL registaram uma probabilidade quatro vezes maior de contrair o vírus HIV ou de morrer do que os bebés de mães com contagem de células CD4 superior a 500/ μL, e os bebés de mães com contagem de células CD4 entre 200 e 500/ μL registaram uma probabilidade 2.2 vezes maior de contrair HIV ou morrer.

Discussão: Este estudo está de acordo com relatórios anteriores que defendem que o aleitamento materno exclusivo tem um risco significativamente menor de transmissão de HIV do que todos os tipos de amamentação mista. Os bebés alimentados com leite em pó e que também foram amamentados registaram um risco quase duas vezes maior de infecção do que os bebés que foram exclusivamente amamentados. Muitas mulheres amamentaram exclusivamente por muito tempo o que resultou em que poucos bebés teham tido uma amamentação mista, e assim limitou a possibilidade de se realizar uma análise comparativa. Os resultados demonstram que o risco estimado Kaplan-Meier de transmissão pós-natal do HIV às 20-26 semanas de idade em bebés exclusivamente amamentados que eram seronegativos às 6 semanas de idade foi de 4.04%. O género dos bebés não afectou as práticas alimentares nem a taxa de transmissão pós-natal. A mortalidade nos primeiros 3 meses de vida foi de 15% no grupo que recebeu alimentos substitutos do leite materno e de 6% no grupo exclusivamente amamentados. Os autores confirmam que a demonstração fundamental deste estudo é que a introdução precoce de alimentos sólidos e de leite animal aumenta os riscos de transmissão de HIV em comparação com o aleitamento materno exclusivo desde o nascimento. Os autores concluem que estes dados, juntamente com as provas de que o aleitamento exclusivo feito por mulheres infectadas com HIV pode ser apoiado, justifica a revisão das directrizes actuais de alimentação infantil da UNICEF, OMS e UNSIDA, que foram revistas pela última vez em 2000.