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Nutrition News for Africa

15 de Abril, 2007

Um artigo intitulado “O zinco durante e na convalescênça da diarreia não tem efeito demonstrável na subsequente morbilidade e nas medidas antropométricas de bebés com <6 meses de idade” foi publicado por Fischer Walker et al.no the American Journal of Clinical Nutrition 2007;85:887-94 

Introdução: Nas últimas décadas, o uso da Solução de Re-hidratação Oral conduziu a um decréscimo nas taxas de casos fatais devido à diarreia, mas nos países em desenvolvimento as taxas de incidência de diarreia mantiveram-se inalteradas. O zinco é recomendado pela Organização Mundial de Saúde e pela UNICEF como parte do tratamento da diarreia para todas as crianças com <5 anos. Quando lhes é administrado 10-14 dias durante e após um episódio de diarreia, o zinco produz benefícios nos 2-3 meses seguintes, fazendo diminuir a prevalência de diarreia e tem demonstrado ajudar as crianças a manter o seu peso e a melhorar o crescimento nas semanas seguintes a um episódio de diarreia.

Os autores deste trabalho realizaram um estudo aleatório placebo-controlo no Paquistão, Índia e Etiópia de modo a avaliar o efeito do zinco na diarreia, em crianças de 1-5 meses de idade. Previamente os autores reportaram não existir, nos bebés de tenra idade, efeito do zinco na duração e gravidade do episódio da diarreia tratada. Neste artigo, os autores reportam o efeito do zinco na morbilidade e no crescimento durante as 8 semanas de acompanhamento, após o índice de episódios de diarreia. O estudo actual é o primeiro a avaliar os efeitos do zinco na subsequente morbilidade e crescimento, exclusivamente em bebés com <6 meses de idade.

Métodos: Um total de 1.110 bebés com 1-5 meses e com <72 horas de diarreia e nenhuns sinais de outra doença grave foram colocados no estudo entre Outubro de 2003 e Fevereiro de 2005, realizado em Addis Abeba, Karachi e Nova Deli. Estes bebés foram seguidos semanalmente por um período de 8 semanas após o episódio inicial de diarreia. Foi necessário obter autorização escrita dos pais dos bebés, estes foram distribuídos aleatoriamente em grupos; uns receberam 10mg de sulfato de zinco e outros placebo na forma de um comprimido que se desfaz, uma vez por dia durante 14 dias.Os bebés foram seguidos em cada 3 dias, tanto em casa como no posto de saúde, por uma pessoa treinada para recolher dados, até o bebé passar a fazer <3 vezes por dia fezes soltas ou aguadas e ter mantido este estado por >48 horas. Na última visita de acompanhamento com episódio de diarreia e também na 4ª e 8ª visitas de acompanhamento, procedeu-se ao registo do tamanho e peso do bebé.

Resultados: Os bebés no grupo do zinco eram na maioria meninas e em número mais significativo do que os bebés do grupo do placebo, e tinham sido exclusivamente amamentadas antes do episódio de diarreia. Não se registaram diferenças significativas entre as taxas de incidência de diarreia dos bebés nos grupos do zinco e do placebo após o controlo de outras variantes. Os bebés do grupo do zinco tiveram mais dias de diarreia durante o período de acompanhamento após o controlo de outras variantes.O tamanho e o peso também não registaram variações significativas entre os grupos do zinco e do placebo no início do acompanhamento, na semana 4 e na semana 8. 

Discussão: Neste estudo, 14 dias de tratamento com zinco para combater a diarreia em bebés de tenra idade não fez descer a incidência ou prevalência de episódios de diarreia nas 8 semanas após o tratamento. Estes resultados diferem de resultados anteriores que mostraram um decréscimo de 34% na prevalência de diarreia em crianças suplementadas com zinco. Além disso, não se registou uma diferença significativa na incidência de infecções respiratórias ou de pneumonia entre os grupos. Não se observou um efeito significativo do zinco no crescimento durante os 2 meses após o episódio da diarreia e a taxa de crianças com “baixa altura para a idade” (stunting) aumentaram de 27.8% para 31.7% em 8 semanas. Os autores avançam que é possível que os bebés participantes neste estudo não tenham respondido ao zinco com os benefícios observados em outros estudos realizados com crianças mais velhas porque não se tinham ainda tornado deficientes em zinco. Quase todos os bebés estavam a ser amamentados, e o leite materno tem elevada biodisponibilidade de zinco. Uma limitação deste estudo foi que os autores não avaliaram o nível de zinco através das concentrações de soro de zinco ou da quantificação da ingestão de zinco na dieta e, por isso, não puderam avaliar a variação no efeito, caso exista algum, pelo estudo de base do nível do zinco. É necessário realizar mais investigação sobre os mecanismos exactos pelos quais o zinco ajuda a manter a função imunitária e previne doenças infecciosas, para clarificar porque razão o efeito positivo do zinco é observado em bebés mais velhos, mas não em todos os bebés com menos de 6 meses de idade.